Património material

Património cultural e edificado

Igreja de São Francisco
Ermida da Nossa Senhora da Piedade e Santuário envolvente
Igreja da Boa Hora
Igreja do Bom Sucesso
Igreja do Monte Seco
Castelo de Loulé
Convento de Santo António

Nossa Senhora da Piedade

Santuário de Nossa Senhora da Piedade

Situa-se a nascente da cidade de Loulé, no cimo de um outeiro.
No Santuário Mariano de 1716, Frei Agostinho de Santa Maria diz deste templo: “É este Santuário muito antigo, e suposto que tem somente trinta pés de comprido, é de perfeitíssima arquitectura, e a sua capella-mor quadrada e fechada de abóbada de meia laranja e fica-lhe a porta para ocidente. Na capella-mor se vê colocada uma devotíssima imagem de Nossa Senhora, com o título da Piedade, está recolhida em um nicho com o Santíssimo Filho morto em seus braços. É de escultura de madeira e de perfeitíssima mão.
É esta santa Imagem tão antiga que os que hoje vivem não sabem dizer quem foi o fundador da sua casa. É do padroado da Câmara daquela villa e ella é que apresenta o ermitão”.

Bom Sucesso

Igreja do Bom Sucesso

Situa-se em Vale Judeu, foi fundada nos finais do século XVII ao que se sabe por influência do então padre de S. Clemente, Diogo Fernandes Rasquinho que ao ver o local disse aos lavradores que o acompanhavam, que ali deveriam fundar uma ermida a Nossa Senhora onde pudessem ouvir missa e receber os sacramentos. A ideia foi bem acolhido por um deles de nome Adains que logo se disponibilizou para começar a obra e a ermida foi construída.

Igreja da Boa Hora

Situa-se no sítio do Gilvrazino, foi construída em 1740. Na sua capela central venera-se a padroeira e nos dois nichos laterais as imagens de S. Luiz e de S. José.

Igreja São Francisco

Igreja de São Francisco

De aparência modesta, é-lhe atribuído pouco valor arquitectónico. No entanto, é de destacar, na arquitectura exterior, o interessante campanário, com três sinos em fila, e a sua cúpula renascentista.
No interior, a capela-mor domina o espaço com o seu altar barroco, em talha dourada (século XVIII).
Aqui, podem apreciar-se as imagens de São Francisco e São Sebastião, destacando-se, central, o vistoso sacrário dourado, em forma de pelicano. Azulejos do século XVIII em tons predominantes de azul e branco completam e enriquecem a decoração.

Convento São António

Convento de Santo António dos Capuchos de Loulé

O Convento capucho de Santo António de Loulé localiza-se na Rua de Nossa Senhora da Piedade, junto à entrada/saída de Loulé em direcção a Boliqueime pela EN 270, perto da subida para a Ermida de Nossa Senhora da Piedade. Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público por Despacho de 4 de Janeiro de 1984.
A edificação que chegou até aos nossos dias resulta de uma segunda fundação datada dos finais do século XVII.
Na primeira metade do século XVI, em 1546, foi fundado o primeiro convento da comunidade de frades Capuchos da Província da Piedade, da ordem religiosa de São Francisco, através de intersecção junto do Papa Paulo III de Nuno Rodrigues Barreto padroeiro do primeiro convento da Piedade que existiu em Faro. As obras iniciaram em 1546, e após alguns anos de ocupação este apresentava-se pequeno, limitado, e em mau estado de conservação. Os frades franciscanos procuraram outro local para erguer novo convento. A 11 de Agosto de 1675 foi lançada a primeira pedra pelo Bispo do Algarve, D. Francisco Barreto II, num terreno doado por André de Ataíde. A 22 de Junho de 1692, terminadas as obras, os frades mudaram-se para as novas instalações.
A arquitectura do espaço insere-se na linguagem do “estilo chão” marcada pela sobriedade arquitectónica característica dos ideais franciscanos dos Capuchos, e apresenta vestígios de acrescentos do século XVIII, nomeadamente do período pós-Terramoto de 1755.
O claustro, ainda na forma original, mantém os seus três arcos por banda assentes em pilares quadrangulares de pedra, com arcos de volta perfeita no piso inferior e abatidos no piso superior. Das abóbadas do claustro restam apenas as do piso térreo sendo estas de penetrações, supondo-se que as do piso de cima terão sido de berço como é usual na arquitectura capucha.
Após a extinção das ordens religiosas em 1834 este espaço conheceu múltiplas utilizações, entre estas destacam-se uma Fábrica de Curtumes e a sua utilização para habitação, até que na década de 80 do século XX foi restaurado o espaço da Igreja que desde então serve vários propósitos culturais.
MARADO, Catarina Almeida – Antigos Conventos do Algarve. Um Percurso pelo Património da Região, s.l, Edições Colibri, 2006; Jornal A Voz de Loulé, n.º 136, 6 de Outubro de 1957;
O Convento de Santo António dos Capuchos é considerado um dos mais interessantes edifícios religiosos de Loulé. Retrato dos modelos tradicionais da arquitectura capucha, que privilegiam o estilo chão, característico pela sobriedade arquitectónica, tão do agrado do ideário franciscano dos Capuchos. Tem capacidade de público para 150 pessoas e é utilizado para concertos, exposições, cursos e workshops de artes visuais.

Castelo

Castelo de Loulé

A primitiva ocupação humana do sítio de Loulé remonta à pré-história, conforme os testemunhos arqueológicos.
Durante a antiguidade, intensificaram-se os contatos dos povos da região com navegadores Fenícios e Cartagineses, que fundaram as primeiras feitorias na orla marítima do Concelho (Carteia), incrementando a atividade piscatória e comercial, além da prospecção de metais. Do período da Invasão romana da Península Ibérica chegou-nos o testemunho de uma ara votiva reutilizada na torre da igreja matriz.
A partir do século VIII, com a Invasão muçulmana da Península Ibérica, forma-se Al’-Ulyã, referida, às vésperas da Reconquista cristã, nas crônicas de Ibne Saíde e Abd Aluhaid, como uma pequena almedina fortificada e próspera, pertencendo ao Reino de Niebla, sob o comando do Taifa Ibne Mafom. Dessa estrutura almóada resta-nos a torre albarrã, em taipa (Torre da Vela).
Em 1249, no dia de São Clemente, as forças de D. Afonso III (1248-1279) conquistaram a povoação com o auxílio dos cavaleiros da Ordem de Santiago, sob o comando do Mestre D. Paio Peres Correia. Elevada a sede de Concelho pelo foral de 1266, D. Dinis doou a povoação e seus domínios à Ordem de Santiago (1280), dotando-a posteriormente de uma grande feira, com duração de quinze dias, no mês de Setembro (1291).
No contexto da crise de 1383-1385, a vila também enfrentava dificuldades, conforme o testemunho do Camareiro-mor João Afonso, segundo o qual Loulé estava bastante despovoada, o seu castelo estava ermo de muralhas e no seu interior existiam bastantes pardieiros (Actas de Vereação, 1385). Reporta ainda que corria no Concelho a notícia de que as forças de Castela se preparavam para entrar em Portugal. Diante da gravidade da informação e para precaver um eventual ataque, a Vereação decidiu reparar a torre que encimava a Porta de Faro e levantar as muralhas e ameias do flanco sul da cerca da vila. Sensível a este estado de coisas, D. João I (1385-1433) concedeu privilégios especiais à população do termo da Vila para habitar o interior da Cerca e doou o pardieiro em frente à Igreja de São Clemente, para construção de um adro.
Com o ciclo dos Descobrimentos portugueses, a região do Algarve, vivenciou um novo surto de crescimento econômico, do qual também Loulé se beneficiou, exportando vinho, azeite, frutas e peixes secos e sal. Graças a esses recursos, a partir de 1422, as muralhas do castelo foram reedificadas por D. Henrique de Meneses, 1º conde de Loulé.
Durante a Dinastia Filipina, no levantamento das defesas algarvias efetuado entre os anos de 1617-1618 pelo engenheiro-militar e arquitecto napolitano Alexandre Massai, o Castelo de Loulé consta como apresentando a maior parte dos muros em taipa danificados e ruídos (Descripção do Reino do Algarve…, 1621).
O castelo ergue-se num dos vértices da cerca medieval da cidade. Esta cerca definia um perímetro com uma área de, aproximadamente, cinco hectares, considerada extensa para a época, e que podemos dividir em dois núcleos principais:

• a Alcáçova, espaço eminentemente militar; e
• a Medina, essencialmente civil e administrativo.

Os remanescentes desse conjunto consistem em três torres, uma das quais albarrã, definindo um dos troços da muralha a Nordeste, que funcionaria como limite da alcáçova. Em plano inferior, a chamada Rua da Barbacã sugere que aqui teria se erguido este tipo de estrutura, paralela às muralhas, talvez desaparecida para a abertura do arruamento.
Da primitiva Medina restou uma torre de planta quadrangular, originalmente o minarete da mesquita muçulmana, adaptada, após a cristianização, como torre sineira da Igreja de São Clemente.